Quando se trata de zoar o rival, eu não gosto de fazer as piadas óbivas que absoluamente todo mundo já fez e continua fazendo cada dia de sua vida. Tipo, chamar corinthianos de favelados e criminosos, ou são-paulinos de bambis. Na real, parece que pra todo mundo, qualquer um que não seja do seu time é homossexual. Já perdeu a graça.
É obvio que ninguém gosta de ser insultado de nenhuma dessas formas, nem incluido nos estereótipos. O problema é quando o clube faz isso sozinho, e o torcedor aplaude. O quê dizer da nova campanha da Nike com o Corinthians, para lançar o novo uniforme do time? “Vamo Invadir”??? Só faltou “Curintia” no final. A Nike quer se aproximar do torcedor (consumidor), aproximar o torcedor do time, e não achou melhor maneira de fazê-lo que chamando-o de analfabeto. O nome da campanha tem apenas duas palavras, e uma necessariamente deveria ter erro de ortografia. Precisava mesmo isso? O pior é que, pelo que se vê, todo mundo gostou.
Como é difícil de acreditar, assista no vídeo abaixo a apresantação do novo uniforme do Corinthians no Pacaembu, que teve também a presença de Ronaldo.
Engraçado é ver os sites dando a notícia com o erro corrigido, ou seja, alterando o nome da campanha. Como se não bastasse estampar o “Vamo” por todo o Pacaembu, veja só a imagem da campanha.

Não é lindo? Os jogadores junto com os torcedores, todos mal-encarados, com atitude de quem está pronto para sair no braço e quebrar tudo, como uma grande gangue, feliz, unida e carinhosa. Dá pra ver que a Nike estudou bem o público alvo da campanha. Seria piada pronta, se tivesse alguma graça. Incentivar esse tipo de atitude é exatamente o oposto ao que precisamos. Já tivemos muitos problemas neste começo de ano com a violência no futebol, inclusive torcedores assassinados.
Na própria apresentação do novo uniforme, um repórter foi coagido por parte da torcida, como conta Rodrigo Borges, do Esporte Fino (linkar não dói). O repórter foi xingado e recebeu cusparadas só porque vestia uma camisa verde. Acredito que há corinthianos que se sentem insultados pela campanha estereotípica, de analfabetos e gângsters, mas está claro que essa é a minoria. A maioria gostou, e cada vez gosta mais dessa forma de ser.



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