A temporada de 2008 da Fórmula 1 deixou uma sensação de injustiça nos amantes da velocidade (a não ser na Inglaterra, claro). O inglês Lewis Hamilton conquistou o título de campeão tendo uma vitória a menos que o brasileiro Felipe Massa. O que gerou mais insatisfação foi o resultado da última corrida, em Interlagos, a qual Massa venceu, enquanto o inglês terminou na quinta posição, cedida gentilmente por Timo Glock, que tinha 15 segundos de vantagem para o inglês no começo da última volta, mas desacelerou o suficiente para deixar Hamilton ultrapassá-lo na última curva e conseguir os 4 pontos que precisava para segurar o título.

A estranha (pra dizer o mínimo) desaceleração de Glock, que não derrapou na pista molhada, simplesmente ficou lento, possibilitou que Hamilton se consagrasse campeão, mesmo fazendo uma corrida medíocre, assustada, e terminasse na imerecida quinta posição. Nunca poderemos confirmar se foi trapaça, se foi roubo, ou não, mas roubados nos sentimos.
Assista o vídeo da última volta do GP do Brasil de Fórmula 1 de 2008.
Isso tudo motivou uma mudança no regulamento para que o campeão seja o piloto que mais vezes vencer. Nada mais justo. No entanto, a FIA foi de uma extremo ao outro, e isso sempre é ruim. Com a nova regra, a única posição que importa é a primeira. Se você terminar em segundo lugar, mesmo que 5 centésimas de segundo atrás do vencedor, isso dificilmente te ajudará na briga pelo título. Os pontos conquistados apenas servirão como critério de desempate no final da temporada, somente no caso em que dois pilotos tenham o mesmo número de vitórias.
Com isto, um piloto que sempre subir ao pódio, e ter, digamos, 20 pontos a mais que seus concorrentes, não será campeão se qualquer um deles tiver UMA vitória a mais (e muitos pontos a menos). Alguém que vencer 5 provar e abandonar TODAS as outras tem grandes chances de ser campeão. Não é ridículo? Quem vai festejar um segundo lugar no pódio? Ninguém, nem os pilotos menos destacados, pois na verdade não estão ganhando nada. Um terceiro lugar vai ser menos que nada, quase vergonhoso.
Se o objetivo é dar mais valor às vitórias, por que simplesmente não estipular mais pontos para vencedor em relação ao segundo colocado, como era antes? Entre as temporadas de 1991 e 2002, o primeiro colocado levava 10 pontos, enquanto o segundo apenas 6 (fonte). Desde 2003 o segundo colocado passou a ganhar 8 pontos, o que torna uma vitória e um segundo lugar quase a mesma coisa. Se fosse como antes, Massa teria vencido o campeonato de 2008, com 83 pontos contra 80 de Hamilton.

Voltar ao sistema de pontuação anterior seria a solução mais simples e eficaz. O campeão seria o piloto que obteve mais pontos e mais vitórias também. No entanto, a FIA preferiu complicar as coisas, deixando lugar à muuuita discussão.
Você imagina a polêmica que será no final da temporada de 2009, quando o campeão não for o piloto que mais pontos obteve? Muito provavelmente a equipe do “perdedor” vai querer mudar a regra (da temporada que já terminou), para que o seu piloto fique com o título. Haverá um sem-número de reclamações, declarações polêmicas, discussões, processos, reuniões da FIA, decisões estranhas, “des-decisões” ainda mais duvidosas, campanhas, abaixo-assinados, acusações, suspeitas de suborno, enfim. O espetáculo está em sério risco.
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