Comentarista cego narra jogos de futebol para uma tv da Guatemala

Juan Carlos Gálvez é cego e comentarista da TV Azteca Guatemala. Há 17 anos, após perder a visão em um olho, ele ficou completamente cego, dia 25 de Junio, devido a uma retinitis pigmentosa, doença genética para a qual não há cura.

Ele conta que na noite anterior havia assistido o último capítulo da novela “Roque Santeiro”, ao outro dia amanheceu cego, pensou que ainda era de madrugada, mas praticamente conhecendo a hora, que era às 09:15, ele soube que o momento havia chegado. Foi diretamente fazer um exame e a doutora o declarou clinicamente não vidente.

“Há coisas que eu indiscutivelmente não posso comentar. Não posso dizer se foi pênalti, se um jogador chutou bem, ou se a bola passou perto de uma trave, mas sim posso me introduzir na tática, nos prós e nos contras de um sistema ou esquema”, diz o comentarista. “Para alguns, sou o mais querido, para outros, sou o mais odiado”.

Antes de ficar cego, ele havia trabalhado como redator esportivo em jornais e rádio. Depois da cegueira, achou que não poderia continuar, e menos ainda trabalhar em televisão. Mas percebeu que tinha coisas boas a seu favor. Sua audição e o seu tato se aguçaram, sua memória melhorou, fundamentalmente, e cada dia aumenta sua vontade de continuar vivendo, afirma Gálvez.

Seu companheiro de trabalho, o relator da TV Azteca Guatemala, Dwight Castillo, diz que Gálvez se baseia em seu relato. “Se ele não é objetivo, é porque eu não estou sendo objetivo como relator, porque ele simplesmente está se deixando levar pelo que eu digo”, conta Castillo. “Aí é onde está o trabalho difícil, pois se julgam o trabalho dele, estão julgando e meu, daí vem a união entre ele e eu na hora dos jogos”, completa o relator.

Em sua carreira, Gálvez conheceu celebridades como Diego Armando Maradona e Oscar De la Hoya, e foi reconhecido mais de uma vez como o melhor jornalista do ano, por diferentes instituições. E cada vez que deixou um trabalho, colocou no currículo como motivo “superação pessoal”. “Minha próxima meta é trabalhar em um nível mais alto, voltar à rádio e a ser a figura que fui, mas cada dia quero maiores e mais difíceis metas de cumprir”, diz Gálvez. Confira toda a matéria no seguinte vídeo (em espanhol).

A paixão pelo futebol não conhece barreiras.


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