O futebol tem uma fauna deveras diversificada, cheia de animais, dos mais estranhos e exóticos. Hoje vamos conhecer um pouco mais de perto Juan Ramón Carrasco, ou “JR”, como é chamado por seus compatriotas. Como talvez você saiba, ele é um técnico uruguaio. Há vários anos, se destacou no comando do River Plate do Uruguai, e foi chamado para dirigir a seleção seleção charrúa.
Carrasco estava muito confiante em seu talento como técnico, e dizia que facilmente poderia fazer o Uruguai jogar como Brasil e Argentina. É, ele é um ególatra. Mas apesar do que pensava, foi um tremendo fracasso. Talvez você lembre que sob o comando de Carrasco o Uruguai levou 3 x 0 da Venezuela e 3 x 1 do Peru, ambos jogos em pleno Estádio Centenário, onde habitualmente o Uruguai se fortalece. Logo foi demitido. Apesar disso, seu ego não diminuiu, acredite.
Hoje, ele voltou para o River Plate, e continua fazendo o time darsenero jogar bem. Na quarta-feria da semana passada, o River Plate aplicou uma goleada surpreendente de 4 x 1 no Vitória, pelas oitavas-de-final Copa Sul-americana. No Domingo, venceu o Nacional pelo Campeonato Uruguaio. E agora vem a parte mais… interessante, digamos.
É comúm os técnicos conversarem com os jogadores antes do jogo, para dar mais confiança e ânimo ao time. Porém, Carrasco tem que ir além disso. Afinal, ele é O CARA. Sua conversa começou com aula para crianças de pré-escolar, com perguntas do tipo “onde mora a vaca”, e terminou filosofando sobre a essência femenina da bola e masculina da chuteira, e como o jogador deve seduzí-la. Tudo isso dentro do gramado do Estádio Centenário, em cima da hora do jogo, com o Nacional já dentro do campo, e a câmera filmando (óbvio). Inacreditável. Vergonha alheia pouco é tiquinho.
Confira no vídeo abaixo a única, inigualável, surreal, engraçada e ridícula conversa de Juan Ramón Carrasco com seus jogadores.
Para quem não entende espanhol, transcrevo abaixo a conversa.
Carrasco: teve um filme que era assim (ele vê muitos filmes, até parece viver em um). Talvez algum de vocês não viu. O que é isto?
Jogadores: uma bola.
C: do quê que é a bola?
J: de couro.
C: o couro de onde vem?
J: da vaca.
C: a vaca onde mora?
J: no campo.
C: no campo o quê tem?
J: pasto.
C: o quê come a vaca?
J: pasto (muito bem crianças! todos ganham sorvete de morango!).
C (colocando a bola no chão): então, damos pasto pra ela, não é verdade?
J: sim. (tudo isso pra dizer que eles joguem com a bola no chão, dominada)
C: me dá sua chuteira “Japo” (apelido do jogador Jorge Rodríguez).
C (com a chuteira na mão): então, isto é uma bola. E isto o quê é?
J: uma chuteira.
C: e a chuteira do quê é?
J: de couro (repetir os novos conhecimentos ajuda as crianças a aprender).
C: e o couro de onde vem?
J: da vaca.
C: não, isto (a chuteira) é masculino. Isto vem do touro (ele inventou isso, obviamente). Se isto (a bola) é femenino e vem da vaca, isto (a chuteira) é masculino e vem do touro.
C: isto (a bola) é o essencial e o objetivo. Vamos supor que ela é a mulher, a vaca. (ele estava apenas comparando a essência femenina das duas coisas, viu?)
- Enquanto isso, o Nacional entrava em campo para o começo do jogo.
C: para apaixoná-la, para suduzí-la, temos um contrincante. O rival também quer apaixoná-la, quer suduzí-la (uma bola com sex-appeal). Para isso, podemos dizer que eles (o Nacional) são poderosos, que estão protegidos (acho que ele se refere às arbitragens ou coisas extra-campo), que eles têm muito dinheiro, que são ganhadores, como a história conta.
C: e nós o quê temos para contra-arrestar? Que somos muito homens, que temos boa pinta e inteligência (e ele diz isso depois das perguntas idiotas que fez…).
C: agora, uma vez que o árbitro apite, ela (a bola), a rainha (marca “Rainha”, muito popular), vamos querer conquistá-la tanto nós quanto eles. Agora, pelas virtudes e os atributos, eles têm muito mais que nós (ainda bem que ele sabe se expressar de forma clara e correta). Ou seja que, na dúvida, ela vai querer se deitar com eles (sua vadia!).
C: e o que nós temos que fazer? A hombría, a inteligência (tá zoando os caras!). Então, quando ela esteja na dúvida (bolas de futebol são muito indecisas), nós vamos e a roubamos, a arrebatamos, licitamente, regulamentariamente.
C: e quando nós a tenhamos, aí a seduzimos (aí ele não escapa!), a tratamos com carinho, a mimamos. Ela, ao ver-se assim, vai se sentir conquistada, totalmente apaixonada (bolas de futebol são romanticas, lembre-se disso), e vai nos levar ao seu leito, e no seu leito (no ninho de amor da bola) vai nos entregar seu coração. Sabem qual é o leito? As redes (uau! que poeta!).
A primeira coisa que me vem à cabeça é: PQP! Depois sinto vontade de sair correndo. Foi um EPIC FAIL. Acho que ele pensou que era o presidente dos Estados Unidos no filme “Independence Day”, antes da batalha final contra a ameaça alienígena. Mas ficou mesmo parecendo os alienígenas de um dos episódios d’Os Simpsons. Eles tomam os lugares dos candidatos à presidência, e fazem discursos do tipo “desde pequeno sonho com ser bola de beisebol”…
Se eu tivesse que aguentar isso duas vezes, mudava de time. Ah, o River Plate ganhou esse jogo por 1 x 0. Talvez motivados pelo medo de ter que escutar tudo de novo…



A REGRA DEZOITO
A equipe de Topógrafos do Exército estava na região de Salto do Lontra. “Cudoeste” do Paraná.
Masculino porque Lontra é um rio, e como tal, muito macho.
Hoje aquilo deve ser uma grande cidade, com assalto a bancos, seqüestros relâmpagos e o diabo a quatro. Mas era a década de sessenta. Militar mandava, não pedia.
Olha a gloriosa 64 aí, gente!
Na sede – Povoado – engastado em uma curva do rio, o campo de futebol. Arranca Toco Futebol Clube contra O Serviço Geográfico.
A torcida local se dividia. Os homens amarravam o cabresto da montaria nos palanques e torciam pelos nativos, por quanto o mulheril torcia para os de verde, obviamente.
Quarenta e quatro minutos do segundo tempo, os milicos impingiam uma estrondosa goleada de um a zero.
Eis que de repente – não mais que de repente – o juiz “local” soprou o seu instrumento de trabalho e apontou para onde deveria ter a marca da cal. Peennalltii contra os visitantes.
Bem, a bem da verdade, o sargento-beque-parado do Geográfico dera uma tremenda rasteira no centro-avante do Canela de Vidro Futebol Clube, digo, do Arranca Toco. Isso dentro da grande área.
A milicada cercou o árbitro. Diziam que ( ^ ´ ) fora fora da área. O bandeira confirmou que não fora nem fora nem dentro, muito antes pelo contrário.
Foi aí, exatamente aí, que o sargento Paim, capitão do time dos Topógrafos, se acercou do árbitro e disse, na lata, sem pestanejar:
- Seo juiz, o senhor está certo! Foi pênalti sim. Claro. Claríssimo. Põe na marca da cal e manda bater contra a gente.
Acontece que o Paim mandava. Mandava mais que bicheiro em Secretário de Segurança no Rio de Janeiro.
Enquanto um soldado romano esculpido em ébano colocava a pelota na marca, o Paim organizava a barreira.
-Peraí “coronel”! Barreira?!
- Seo Juiz, não vá dizer que Vossa Senhoria desconhece a nova regra dezoito da FIFA.
Pênalti aos oitenta e nove minutos, tem barreira.
E não foi gol, porque o juiz não quis se passar por ignorante da nova regra da FIFA.
Jejejeje, aqui em Minas em um programa tosquíssimo da Band, bem das antigas, rolava um comentarista que falava essa parada da bola de couro, a vaca come grama e tal…. bizarro!
Eu, como você, também trocaria de time…
Abraços!